quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Padrão Relacional das Escolhas Afectivas


Em relação à compulsão à repetição, Freud referiu que se trata de uma forma de não pensarmos, de não recordarmos as experiências dolorosas.
Muitas das “escolhas afectivas” que fazemos permitem repetir as nossas relações traumáticas sem termos que lidar os seus aspectos traumáticos. Na repetição há uma negação dos aspectos negativos.
Não deve, portanto, considerar-se uma coincidência, a “escolha” de parceiros diferentes para “relações idênticas”.
Logo, os aspectos negativos da relação anterior reaparecem nas novas relações.
Normalmente, esta compulsão à repetição não é consciente e, portanto, é necessário que seja explorada num cenário psicoterapêutico. Se assim não for, ao invés de compreender o fenómeno, repete-se a necessidade de escapar ao contacto com a experiência dolorosa.
Somente a elaboração da experiência passada permite, verdadeiramente, alterar o padrão relacional.

domingo, 20 de outubro de 2013

Id, Ego e Superego - 2ª Tópica para principiantes




psicologia clínica

Psicoterapia - O sintoma como trampolim para o devaneio

Thomas Ogden descreve a psicoterapia e / ou a psicanálise como uma oportunidade para o devaneio. Ele cita R.M. Rilke, 1904

“I hold this to be the highest task of two people; that each should stand guard over the solitude of the other.”

Ogden recorda-nos que não só temos partes sexuais do corpo que são privadas, como também temos processos mentais privados, que podem ser compartilhados, ou não, como assim entendermos. A concepção da psicoterapia como promotora do devaneio e da presença de um mundo interno privado, contrasta com uma das regras fundamentais de Freud de que devemos instruir os nossos pacientes a dizerem-nos o que está na sua mente.

Pelo contrário, refere Ogden, nós temos que ajudar os nossos pacientes a expandir os seus devaneios e, em seguida, escolher o que desejam compartilhar connosco. Ogden vê essa regra de Freud como contra-terapêutica, pois o nosso objectivo como terapeutas é incentivar e orientar em vez de ditar o que deve ser feito. Pacientes deprimidos, ansiosos, obsessivos e histéricos não conseguem ter devaneios, porque os sintomas sequestraram o seu cérebro de tal forma que eles estão restringidos no que "escolher" para poder ser pensado.

Aqui, a escolha da palavra implica uma escolha inconsciente, onde, por razões misteriosas, o cérebro do paciente está em shut-down e, como tal, estão limitados na capacidade de aceder ao seu próprio cérebro. É como se tivessem uma casa muito grande, mas todos os quartos estão fechados, e o paciente tem medo de encontrar a chave, pois ele teme o que vai encontrar, de modo que circunscreve-se a um pequeno quarto, onde sabe o lugar de tudo.

Para Ogden, que ao conseguirem a chave os pacientes vêem a exploração da casa, do cérebro, como um devaneio, como uma fonte de mais pensamento, ao invés de um lugar que temem, seja tão doloroso que possam ficar presos na dor. A ironia aqui é que os pacientes estão presos, mas temem avançar, pois podem ficar presos de uma forma diferente e a mudança é assustadora.

O conceito de devaneio está associado a um espaço de interesse, de curiosidade e de livre flutuação de ideias, em vez de dor e sofrimento. Ser curioso é pensar, enquanto sentir a dor é o estreitamento, é ser autocentrado. Orientar os pacientes para a curiosidade, longe do seu foco no sintoma, é o coração da psicoterapia. Outros tipos de psicoterapia trabalham ao contrário, concentram-se nos sintomas e desencorajam a curiosidade. Pode dizer-se que eles se complementam e os pacientes podem beneficiar de ambos. Ogden refere, que seria tentado a concordar, mas o alívio a longo prazo vem do pensar sobre o pensar e de desafiar os nossos pacientes a questionar o que os sintomas significam para eles, de forma a usar o sintoma como um trampolim para devaneio.

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Psicoterapia

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Modernices

Não tenho em boa conta os Experts em crianças. Eles que me desculpem, não se trata de nada pessoal, mas os estragos que têm produzido são consideráveis e proporcionais às “teorias” que desenvolvem. A forma como surgem, se disseminam e se fixam certas crenças culturais de como cuidar das crianças, quase sem questionamento, também é uma questão interessante.

A parentalidade é uma das tarefas mais difíceis e intensas que é colocada ao ser humano, não só pelas exigências, principalmente, emocionais, mas também porque remexe com as nossas próprias experiências de termos sido cuidados pelos nossos pais.

Entre as formas de lidar com medos, inseguranças e até algum desespero, inerentes à parentalidade, está o aferrar a certas crenças colhidas aqui e acolá. Naturalmente, os pais fazem aquilo que consideram ser melhor para os filhos, e fazem-no na convicção de que está “correcto”. Gostam dos filhos e procuram dar-lhes o melhor que podem e sabem.

O instinto natural de cuidar quando bloqueado pelas dúvidas abre espaço para a crença e não faltará quem, com a maior das generosidades, venha dizer como se faz. Então, a mãe, a verdadeira especialista, deixa uma via aberta para a crença e a expertise de que alguns se fazem donos.

Como refere Darcia Narvaez, em “Modern parenting may hinder braindevelopment, research shows”, certas práticas tornaram-se comuns na nossa cultura. Entre as mais habituais estão o fechar as crianças nos quartos e o retardar a resposta a um bebé agitado, inquieto que reclama por cuidados, para que não fique estragado com mimos.

A amamentação, a resposta pronta ao choro, o contacto corporal constante são, segundo Narvaez, práticas parentais ancestrais que, como se conclui das investigações, contribuem para o desenvolvimento cerebral, para a formação da personalidade e a saúde em geral, mas que fruto de “práticas modernas” foram esquecidas, caíram em desuso e como corolário disso surgiu uma epidemia de doenças mentais nas crianças: distúrbio hiperactivo com défice de atenção, depressão, ansiedade, etc.

As crianças são diferentes umas das outras, e o que funciona para uma pode não ser o melhor para outra. O “segredo” está na capacidade de a cada momento procurar compreender o que a criança nos quer dizer com um choro, com uma birra ou com ataque de fúria. Pais e filhos criam o seu próprio dialeto e é nessa aprendizagem sem dicionário que se inscreve, com rasuras e erros de interpretação, o texto, que lido e relido e tantas vezes reescrito, que vulgarmente chamamos vida.



psicologia clínica

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Como escolher um Psicólogo

O artigo do J. Shedler Some Advice on Choosing a Therapist faz-me recordar algo que se passou comigo. Certo dia um amigo procurou-me porque após o falecimento de um familiar entrou em grande sofrimento, que acabou por despertar outros problemas. Estava decidido a procurar um psicólogo mas era um mundo estranho para ele, e de facto, para todos aqueles que não convivem de perto com estas questões. Nessa altura tentei responder às inquietações que o atormentavam em relação às psicoterapias mas também em relação ao que ele estava a sentir. Ainda que superficiais, as minhas considerações sobre o processo terapêutico foram apreendidas, como acabei por verificar mais tarde.

Fiquei, então, de lhe dar um contacto que entretanto se prolongou demais.

Um dia, após ter consultado um psicólogo liga-me um pouco assustado; a experiência que tinha tido nessa manhã em nada correspondia com o que eu lhe descrevera. Somente abordei aspectos genéricos, pois cada terapia é única, na medida em que também o somos. E, foi exactamente aí, no mais crítico dos aspectos que ele tomou consciência que algo estava errado. Quando o psicólogo lhe fez uma descrição de como a terapia iria decorrer, teve ainda a gentileza de acrescentar algum terror: sofrimento garantido, ao qual, após iniciar a terapia não poderia fugir. Alguns psicoterapeutas têm uma forma bastante perversa de agarrar os pacientes – "você está em fuga". Qual é o paciente que se arrisca a pôr em causa um expert?

Consta que depois de iniciar a sua terapia com outro terapeuta a vida do meu amigo seguiu em frente, e eu fico sempre contente quando isso acontece.


Psicoterapia

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Raiva escapou para as redes sociais



Todos sabemos, procuramos esconder mas ela escapa pelas frinchas e, ainda bem. A Raiva. As emoções positivas mantêm-se em alta, e são no essencial o discurso da auto-ajuda. Não questiono as boas intenções que podem estar por trás da auto-ajuda e do apelo às emoções positivas e à pregação do bem, mas o resultado não pode ser bom. Porquê? Porque os sentimentos negativos fazem parte de nós, constituem-nos.

A psicanálise, naturalmente, mal-amada, foi em parte responsável por dar a conhecer ao mundo as profundezas do ser humano. Um dos maiores contributos da psicanálise foi o seu maior pecado, desvelar-nos. Mas talvez o maior de todos, tenha sido o de “autorizar-nos” a sentir tudo o que há de malévolo: raiva, inveja, ciúme.

Para evitar riscos de explosão devido à repressão dos sentimentos negativos, a mente arranja válvulas de escape e, parece que as redes sociais estão a desempenhar bem esse papel.

Então a psicanálise abriu a porta do jardim zoológico e entrámos num vale tudo?! Há uma diferença entre agir os sentimentos hostis e senti-los, reconhece-los em nós, sem muita da culpa que normalmente se faz presente. Se eu puder reconhecer as coisas em mim posso senti-las e transformá-las, ao invés de as colocar no mundo externo e agir sobre ele, como acontece em muitos tiroteios.

Nós não somos anjos. Tudo bem. Não estamos no Céu.



Psicoterapia

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Nostalgia

A ideia de que a nostalgia é um sentimento negativo é generalizada e a estreita relação entre nostalgia e depressão não é de hoje: “O deprimido é aquele que vive do/no passado”.

A nostalgia foi originalmente descrita como uma "doença neurológica de causa essencialmente demoníaca" pelo médico Suíço Johannes Hoffer em 1688. A nostalgia foi considerada uma doença desde o século XVII devido aos sintomas encontrados em soldados pelos médicos militares: desejo de regressar a casa, acompanhado de dor. Nostalgia: Nostos – desejo de voltar para casa; Algos – a dor que o acompanha.

No século XIX e XX a nostalgia continuou a ser considerada uma patologia, sendo exemplo disso a “psicose emigrante” ou certas formas de “melancolia”.

Quando o Dr. Sedikides, TimWildschut e outros colegas de Southampton começaram a suas investigações sobre a nostalgia descobriram que se tratava de um sentimento praticamente universal, encontrado inclusive em crianças a partir dos 7 anos. Os temas em volta dos quais a nostalgia se desenvolve eram muito semelhantes: reminiscências sobre amigos e familiares, casamentos, músicas, pôr-do-sol. Em síntese, acontecimentos em que o protagonista está rodeado de figuras importantes em momentos significativos. A maioria dos sujeitos relata que esses pensamentos surgiam quando algo de mau acontecia ou quando se sentiam sozinhos e que essas memórias contribuíam para que se sentissem melhor.

A nostalgia demonstrou neutralizar a solidão, o tédio e a ansiedade, tornando as pessoas mais generosas e tolerantes com estranhos. Mas, não-há-bela-sem-senão. A nostalgia tem o seu lado doloroso, é um sentimento agridoce, pois nem todas as memórias são felizes. Mas, no geral, como referem os pesquisadores de Southampton, os elementos positivos superam muito os elementos negativos e o efeito final traduz-se numa vida com maior significado.

Segundo o Dr. Routledge "A nostalgia tem uma função existencial crucial", ela traz à mente as experiências queridas que nos asseguram que somos pessoas de valor e que temos vidas significativas”.

As memórias, principalmente as boas, mas também as más, são o nosso maior património. Por que não começar a dar-lhes mais uso?!


psicologia clínica

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ruído de Passos


Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.

Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava.

Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.

Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.

Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:

— Quando é que passa?
— Passa o quê, minha senhora?
— A coisa.
— Que coisa?
— A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
— Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca.
Olhou-o espantada.
— Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
— Não importa, minha senhora. É até morrer.
— Mas isso é o inferno!
— É a vida, senhora Raposo.

A vida era isso, então? essa falta de vergonha?

— E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
— Não há remédio, minha senhora.
— E se eu pagasse?
— Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
— E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
— É, disse o médico. Pode ser um remédio.

Então saiu do consultório. A filha esperava-a em baixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.

Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo.

Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.

Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.


Clarice Lispector. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998


psicologia clínica

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os textos que eu não escrevi # 3


Quando começamos a perder quem amamos, só elefantes cor-de-rosa fazem sentido

Em que momento uma flor de lótus começa a nascer dentro de quem amamos? De nós? Desde sempre, talvez seja a resposta mais correta. Não sabemos quando ela vai florescer carregando com ela aquilo que chamamos de real. Mas sabemos que vai. E quando ela floresce dentro do corpo que amamos, o que é lógico, rotineiro, deixa de fazer sentido. (…) Isso é mais plausível para quem perde seu amor do que a enormidade do que acontece dentro de um corpo que é referência espacial na geografia cotidiana, de um corpo que às vezes é a própria casa, a única que queremos habitar.

Trabalho com o tema da morte há alguns anos e percebo que para muitos que perdem – e se começa a perder ao abrir o exame e descobrir que há uma flor de lótus em alguma parte irremovível ou com galhos longos demais – torna-se difícil viver num mundo em que os objetos são inanimados e as enguias só são vistas em filmes da National Geographic ou em pratos de restaurante japonês caro. Há um surrealismo no mundo que foi transtornado pelo advento da flor, mas que o nega, comportando-se, junto com todos os outros que por ele andam, como se não estivesse para sempre corrompido pela morte.

Quem descobre a flor de lótus no corpo de quem ama espera a cada manhã por um sinal de que o mundo de fora vai espelhar o de dentro. De que ao entrar no elevador do prédio não haverá um vizinho com seu cachorro, mas um elefante cor-de-rosa. Confrontada com a lucidez da condição humana, só é possível encontrar lógica em elefantes cor-de-rosa. Na padaria, na fila do pão, a expectativa dessa mulher é de que a moça tenha cauda de peixe, como uma sereia em terra firme, e o pãozinho francês pisque para ela da prateleira com pestanas tão longas quanto as de uma lhama. Em vez disso, nada acontece. A moça do pão é fria, quase ríspida. Ela então gagueja. Não sabe mais se pede os dois pãezinhos de sempre, porque ele gosta de pão novo, ou se pede três, por causa da flor, agora que a relação deles se tornou um triângulo. Pede dois, porque sabe que o mundo só aceitará o pedido de dois, mas sabe que está errado. E sabe que está errado porque o que não sabe é como fará quando tiver de se arrastar até a padaria para pedir um pãozinho só. Há décadas essa mulher não sabe como é pedir um pão só.

Conheci um homem que tinha medo da flor dentro do pulmão da sua mulher. Ele não imaginava o que havia lá como uma flor, mas vou chamar assim aqui. Ele nunca pôde dizer o que era ou que forma tinha. Mas quando se deitava na cama com ela à noite, escutava a respiração da coisa ou da flor. E não podia dormir. Esgueirava-se para fora da cama e passava o restante da noite assistindo a filmes na TV da sala. Perto do amanhecer ele voltava, e talvez ela só fingisse não perceber. Ele a abraçava, como fazia havia mais de 20 anos, mas não sabia a quem pertencia o coração que batia no peito dela. Numa dessas quase manhãs em que tinha seguido esse ritual agora rotineiro, dormiu e sonhou que acordava. Abria os olhos e não havia mais ela. Só a flor ao seu lado na cama – ou o que ele não ousava representar.

Volto para casa depois de assistir à Espuma dos Dias e sinto um medo irracional das flores que me rodeiam. Olho desconfiada para as orquídeas que há anos são a moldura da minha janela e que me ficam às costas enquanto escrevo. Quando a flor de lótus desabrochar em mim ou no meu amor, não digam que enlouqueci quando eu afirmar que há enguias nas torneiras ou hipopótamos voando junto com os aviões de carreira. Não há nada mais surreal do que o amor e a morte.


psicologia clínica

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Acto Falhado ou Falho


Acto em que o resultado explicitamente visado não é atingido, antes se acha substituído por outro. Fala-se de actos falhados não para designar o conjunto das falhas da palavra, da memória e da acção, mas para os comportamentos em que o indivíduo é habitualmente capaz de obter êxito, e cujo fracasso é tentado a atribuir apenas à sua falta de atenção ou ao acaso.

Freud demonstrou que os actos falhados eram, tal como os sintomas, formações de compromisso entre a intenção consciente do indivíduo e o recalcado.


Vocabulário da Psicanálise – J. Laplanche & J.B. Pontalis

psicologia clínica

Rentrée



terça-feira, 23 de julho de 2013

Dependência sexual

Antes de mais, importa recordar que os adictos ao sexo são aqueles que praticam mais sexo do que nós - a norma.

Os doutos nos comportamentos dos outros não sabem o que fazer com a questão da adicção ao sexo (sexual addiction). Na DSM-IV estava consagrada como Hypersexuality, e na recente publicação do DSM-V passou a ser uma condição que precisa de mais investigação! Num recente estudo conduzido por Nicole Prause (UCLA), os resultados indicam que a dependência sexual não deve ser considerada uma doença.

O que na verdade nos deve preocupar é o sofrimento que estas pessoas possam apresentar e, não é garantido que todos o tenham. Há naturalmente que fazer uma distinção entre comportamentos sexuais desviantes, perversos e impulsos libidinais. Por eles estarem muita vezes entrelaçados é preciso compreender o que é o quê.

A psiquiatria e a psicologia vieram de certa forma substituir a religião no que diz respeito ao que é certo e errado, retirando-lhe, só parcialmente, a questão moral/culpa tão presente na religião. A sociedade encontra sempre uma forma de ordenar e controlar o comportamento humano…. E se há coisa que mexe com as profundezas dos reprimidos é o desejo sexual. Que o diga Freud.

De tudo isto, resulta em muitas pessoas, sentimentos de culpa e de vergonha e é essa a minha preocupação, ajudar o sujeito a desembaraçar-se da culpa que pode atingir e contaminar a sexualidade, que se quer satisfatória na quantidade que a cada um convier.



Psicoterapia

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Os textos que eu não escrevi # 2

Tempo fechado para o ferido narcísico

Ela estava com cerca de trinta anos. Seu emprego de final de ano havia lhe rendido alguns bons trocados, em meio a viagens. Era uma representante comercial. As viagens eram, sobretudo, para o interior do estado onde morava. Viagens de poucas horas. Formação superior, independência econômica da família, fisicamente cobiçada. Nada pudica, nem promíscua. Solteira e individualista.

Algum desconforto recente, numa dessas viagens. Um suor angustiado, uma pressa [e uma angústia] pelo vir a ser [pressa e temor, ao mesmo tempo], que era “mais do que querer chegar rápido ao destino”. Após fazer suas vendas, pediu para ir ao banheiro, lavar o rosto. Olhando-se no espelho, teve aquele rápido lampejo [e inequívoco desconforto] de “despersonalização”. Olhava-se como que “de fora” [“quase como um elefante olharia para um humano”, foram as suas palavras]. Após grande crise de ansiedade, tendo feito [com dificuldade] o trajeto para sua cidade, sentia a musculatura da coxa direita tremer involuntariamente, como resíduo de um estado de stress. E também a pálpebra.

A partir de então, surgiram as crises de pânico. Temia sentir “aquilo” presa no carro, em meio a qualquer viagem profissional. Foi visitar a mãe na data de aniversário dela [= a mãe]. Encontrou a casa com convidados e convidadas, com os quais não tinha intimidade. Cumprimentou-os socialmente, e foi para outro cômodo da casa que conhecia bem, pois que havia sido seu quarto.

O tempo fechou lá fora: desses rápidos escurecimentos e tempestades de verão. Ao voltar da cozinha, onde tomara um copo d’água, a lâmpada de seu antigo quarto queimou. Desabou, então, a tempestade. Não iria sair da casa da mãe e ficar presa no trânsito urbano, num dia como aquele. Angustiava-lhe a perspectiva. Não iria se esforçar para se desempenhar numa conversa social com quase-estranhos, ainda mais estranhos por serem de outra geração. Sentiu-se, ela, a estranha, naquele momento.

Sim. Ela se deu conta de sua própria estranheza, reavivando o sentido de “despersonalização ao se olhar no espelho” na “casa estranha”, dias antes, em outra cidade. Aparentemente, a situação de estar sem-saída se reavivava ali, em sua antiga casa. Mas, desta vez, com nuances bastante particulares. Não era o “pânico” que se costuma conhecer, desses das revistas e noticiários de televisão, um sentimento quase-anônimo e tão descrito, quase impessoal e indiferenciado, mas tão “classicamente fisiológico”. Era possível dar-lhe nome, mas um nome que só viria um pouco adiante...

Ela ouvia o burburinho da sala, e as conversas comemorativas. Aquilo lhe parecia longe. Como não parecesse “reconhecer”, de fato, aquelas pessoas “de longe” [e eram “longínquas”, mesmo nuances de sua própria mãe...], o outro pólo da situação lhe ficou progressivamente patente: a de que a mãe não devia lhe reconhecer, no fundo. Quem a conheceria verdadeiramente?!

Não considerou alívio algum se valer do celular para contatar algum amigo. Considerou, sim, naquele momento, que qualquer busca por aproximação física seria uma “fuga daquela solidão”. Vou chamar essa solidão de “solidão ontológica”: a solidão à qual não se pode fazer [nem trazer] companhia.

Naquela circunstância, então, ela considerou quantos amigos [e amigas] poderiam desejar a sua companhia, mas julgou que “ninguém a conheceria de fato”. Não sob aquele ângulo. Considerou as amizades eróticas como um passatempo desprezível e sem grande alcance, um anestésico contra tal solidão profunda. Viu, naquele momento, que muito do sexo que fazia [e fazia com regularidade e inconfundível prazer, assim lhe parecera até ali...] tinha essa feição de “anestésico” ou “distração”. Anestésico contra a tal solidão indizível. Distração dessa mesma solidão.

Mas, ciente disso tudo, ela não queria [e nem podia] distrair-se. Sentiu, simplesmente, que não lhe era possível mentir ou desviar-se da questão. A idéia de tentar aparentar um estado minimamente disposto ao telefone [para qualquer eventual interlocutor] lhe causava asco. Literalmente: ânsia de vômito. Já tinha ido à cozinha, sem se deter na sala, para não chamar muito a atenção sobre si. A idéia de chamar a atenção “daqueles estranhos da sala” sobrepunha-lhe um desconfortável “constrangimento íntimo” [“ansiedade, vergonha, embaraço, medo, tudo misturado”] ao nojo que sentia de tentar disfarçar sua solidão para os amigos, caso recorresse ao telefone.

Foi ao banheiro, contíguo ao quarto, e teve “aquele movimento espasmódico do vômito, mesmo de estômago vazio”, como era o caso. Só pôs só água pra fora. Sabia ser “um enjôo puramente emocional”, isso era óbvio. Uma ânsia de vômito “de puro nervoso”. Não tinha como explicar a ninguém “o que teria comido que lhe fizera mal”, e ouras coisas que tais. Isso lhe causava ainda maior ansiedade em não querer chamar atenção sobre si, tendo de tentar explicar para os outros “o inexplicável”. Todos quereriam achar razões objetivas para o mal-estar, era o que ela pensava. “Sempre querem achar uma razão objetiva pras coisas”. Tentava, então, se acalmar no quarto, sem nenhuma “fuga” ou “despedida” apressadas, o que causaria mais estranheza a todos os circunstantes: mãe e convidados. Tentaria se acalmar “e ponto final”. Talvez voltasse à cozinha, pegasse mais água, para tomar um comprimido de Plasil. Imaginava saber onde encontrá-lo, se as coisas na casa da mãe não estivessem tão mudadas.

E não estavam. Estavam e não estavam. Pois o sentimento de estranheza como que pairava sobre tudo que já era sabido. Ou previsível. [E, sobretudo, pairava...].

No seu antigo quarto, com a lâmpada queimada, tentava se acalmar. Até porque a perspectiva da tempestade lá fora era ainda menos animadora do que estar ali. No mínimo, refletia-lhe a tempestade íntima, em matiz “tão sombrio quanto”. “Não tinha pra onde correr”.

Olhou para uma foto antiga, sua com seus familiares, sobre um porta-retrato. Estava na penumbra. Sua estranheza, agora, tinha, por acréscimo, um sentimento de dor profunda: o sentimento de ter sido “absolutamente anônima” naquela época. Anônima para todos aqueles que estavam na foto. Ninguém conhecia boa parte das suas questões de então: chantagens que experimentava no ambiente escolar, humilhações físicas relativas à desproporção dos seios para o corpo que tinha na época, além de acne bastante grave. Havia assédio e desprezo misturados por parte dos outros. Tinha medo e distância do pai, na ocasião. Parecia-lhe que ele se esquivava de ver seus eventuais dramas juvenis, além de ser muito severo. Sabia que sua mãe também tinha medo dele. Na infância, era frequentemente punida por coisas bobas. Ou por outras que nem havia feito. Quando dizia ao pai não ter feito nada, ele sempre lhe respondia “e daí?”. Impunha-lhe surras ou castigos morais [ficar um tempo longo sem sair nos finais de semana, jantar e dormir cedo, etc]. A mãe, simplesmente, lhe olhava com uma “expressão de impotência quase-empática e ao mesmo tempo esquiva”, do tipo [do tipo é expressão dela...]: “Não fui eu que te bati nem te pus de castigo, filha..., mas não posso fazer nada “contra teu pai”... O pai, agora, já era falecido. Impossível, para ele, “ser apresentado àquela jovem” ou, ainda mais difícil, “àquela menina magoada”. Impossível, para ela, apresentar-se a ele. Tudo era “tarde demais” e “nublado”. E a mãe, naquela sala, não conhecera aquela pessoa desde muito cedo. Ou se omitira, por receio, “preservando a si mesma de sua vulnerabilidade conjugal” [expressão da moça].

Outras solidões mais antigas vieram à tona. Não poderia “atualizar” a nenhum de seus novos amigos [ou amigas] essas tais solidões ancestrais. Nem era o caso. Mas olhar aquela foto, ali, no quarto com lâmpada queimada, simplesmente lhe despertou soluços. Soluços fortes, desses de “se chorar com a barriga, curvando-se” [tradução da moça], em profundo lamento. Fechou a porta do quarto, com medo de que a ouvissem. “Chorou curvada” por mais de quarenta minutos, aquele choro sentido e antigo, olhando para a solidão de longe... Achou-a, naquele momento, “irremediável” [“uma solidão irremediável”; “uma coisa que não tem conserto”]. Não acreditava, simplesmente, na eficácia de qualquer companhia ou lenitivo para aquela tristeza e aquele sentimento de “não ter sido vista”, nem pelo pai. A idéia de ser “corporalmente aceita” por qualquer dos amigos que viesse a procurar, até sexualmente aceita [e com facilidade], só fazia parecer ainda mais [e ainda maior] aquela solidão sem-fundo. [Que era aquela solidão-de-fundo].

Não ser vista por pai nem mãe [ele já falecido] lhe parecia uma espécie de “orfandade” inescapável. Incontornável. Uma “orfandade do espelho” [essa expressão é minha]. A superposição da estranheza que tivera diante do espelho estranho na tal viagem recente se somou àquele estado. Tudo se somava: dor pela(s) perda(s) [“não dá pra acertar as coisas com a pessoa que já se foi”], o sentido do anonimato e ferida irremediáveis perante “os próximos”, pai e mãe: ela aniversariando, ele falecido... O sentido de absoluta “irrelevância do desejo masculino perante aquela solidão” [Narciso engole Édipo, porque lhe é anterior, cronológica e axiologicamente falando: na escala do Tempo, e na escala do Valor; o Mito de Narciso tem primariedade e prevalência sobre o de Édipo], a náusea que isso lhe trazia, o “sentido de não haver lugar onde pudesse estar livre disso” [“fosse à cidade que fosse, com quanto dinheiro tivesse”, para lazeres que lhe pareciam, naquele momento, de todo, “inúteis”]. “O tempo estava fechado”.

Lá fora, continuava a tempestade. Ia ao banheiro lavar o rosto, mais uma vez. Mas, diante da pia, se curvara naquele choro convulso [“o que nasce da barriga”...] ouvindo a si mesma falar uma expressão lamuriosa, que reconhecia ter sido dita desde lá atrás, muitas vezes... Sua voz dizia simplesmente o seguinte: “Eu quero morrer...”. Isso foi repetido muitas e muitas vezes, até que sua mãe apareceu, consternada e assustada, à porta do banheiro, perguntando “se ela estava bem”...

Pelo momento, registe-se a cena, para que se tenha um breve flagrante das questões de fundo [que são questões de base] do ferido narcísico.

Não era o “pânico” que se costuma conhecer comumente, desses das revistas e noticiários, um sentimento quase-anônimo e tão descrito, quase impessoal e indiferenciado. Era possível dar-lhe nome, mas um nome que só viria um pouco adiante...
E o nome era: “Eu quero morrer..., eu quero morrer...”

[Narciso tem grande proximidade com Tanatos].


Marcelo Novaes


Psicoterapia

Está um monstro debaixo da cama… só não vê quem não quer




Para as crianças é muito difícil expressar os seus sonhos maus/pesadelos e uma das razões, directa ou indirectamente, são os pais. Quem mais? Pobres pais…

Indirectamente porque o sonho pode ter como personagem os próprios pais: “A mãe enlouquecida que fecha o filho dentro de um armário escuro”; O pai transformado em monstro persegue a filha com uma faca da cozinha”; A mãe/bruxa com os olhos vermelho incandescente incendeia a cama onde o filho dorme”. Como conseguirá a criança contar estes sonhos aos pais onde eles aparecem como criaturas terríveis? De uma maneira geral as crianças sentem que estes sonhos não serão bem aceites pelos pais. E, quantos pais conseguiriam lidar com sonhos desta natureza? Não é fácil, à que dizê-lo.

Por outro lado, temos os pais que acordados a meio da noite, se confrontam com: “há um monstro debaixo da cama”; está alguém atrás do armário”, e a resposta é: “isso não é nada, é um pesadelo, dorme que isso já passou”.

Se a criança viu o monstro, então ele existe. E se ele existe, melhor será perguntar: “como era esse monstro?”; “o que é que ele estava a fazer?”; “ainda está aqui?”; “vamos correr com ele daqui”.

Se os pais não se disponibilizam a entrar no sonho, no espaço assustador, as crianças podem concluir que ninguém acredita nelas ou que os pais também estão assustados e por isso incapazes de as proteger. “Só me tenho a mim para me proteger”. Assim pode iniciar-se um afastamento dos pais, um isolamento em relação ao mundo que a rodeia, pois há coisas sobre as quais não se pode falar, coisas indizíveis, impossíveis de serem partilhadas. O mundo começa a fechar-se e nesse mundo, muitas vezes a criança precisa criar – um outro – dentro dela própria que a proteja.

Quando o terror não pode ser compartilhado a solidão ganha espaço. Estas experiências vividas sem testemunhas, levarão a criança a questionar até que ponto poderá partilhar a raiva, a mágoa e o sentimento de abandono. Impossibilitada de se fazer ouvir, gritará alto com maus resultados escolares, violência com os colegas, isolamento, alergias e mais alergias.

A criança gritará porque é a única forma que tem de se fazer ouvir, mas dramaticamente, não é porque grita que será ouvida. Será tratada, porque está doente e doente permanecerá até ser ouvida.



psicologia clínica

terça-feira, 16 de julho de 2013

Aquele que quer morrer


"Aquele Que Quer Morrer"

"Aquele que quer morrer
é aquele que quer conservar a vida,
só o que infinitamente pára se move, fugindo,
o que regressa nunca saiu do mesmo sítio, e só esse regressa

ao mesmo sítio, no limiar da sua Morte,
encontrando todas as coisas no mesmo sítio
e parando no princípio de tudo.
Para aqui chegar tive que percorrer tudo.

A falta das palavras e do
silêncio e da falta de isso
é o que encontra o seu começo e a sua memória
e fala finalmente sobre todas as coisas."

Manuel António Pina

A cura da homossexualidade ou homofobia?


Embora o “mundo natural” seja o mesmo para qualquer sociedade, cada uma vai percebê-lo e decompô-lo para em seguida dar-lhe sentido, dentro das associações sintagmáticas que aquela sociedade criou para “ler o mundo”. O discurso interpretativo que surge daí é tributário do sistema simbólico da sociedade em questão, que está sujeito ao universo imaginário e fantasmático desta mesma sociedade: não existe um paradigma único, universal.

Vivemos nossa sexualidade dentro do imaginário da sociedade onde estamos inseridos. Desconhecemos que somos guiados por convenções culturais, e acreditamos na existência “natural” de sujeitos heterossexuais, bissexuais e homossexuais. Esta crença, evidentemente ideológica, é vivida como algo intuitivo, universalmente válido, desde sempre, para todos os sujeitos. É por isto que uma das coisas mais difíceis a suportar é a diferença, sem que ela seja vivida como uma ameaça. Aceitar que o outro possa ser diferente abala nossa verdade, e mostra que a verdade é sempre a verdade de cada um, o que desvela a ilusão da existência de uma identidade última e absoluta, e revela que nossos referenciais são construções com tempo de vida limitado.

O discurso social, que constrói as referências simbólicas do masculino e do feminino e dita os parâmetros que definem a “sexualidade de normal”, contribui não só para a invenção da homossexualidade como também para que o sujeito homossexual, marcado pelos ideais da sociedade, se sinta “desviante”, posto que excluído do discurso dominante. Os homossexuais nascem em uma sociedade cuja organização simbólica cedo lhes ensina que sua forma de viver a sexualidade é errada. Uma pessoa durante um processo analítico disse: “primeiro aprendi que ser homossexual era anormal. Depois, descobri que era homossexual. Ou seja, que era anormal. O que fazer?”.

Visto que os padrões da sexualidade humana são criados e não inatos, há de se considerar a importância da história libidinal de cada um na origem de sua solução sexual. Esta história, por sua vez, é construída por marcas identificatórias sucessivas, resultado de investimentos libidinais em diferentes registros (simbólico, imaginário e fantasmático), originados nos encontros desse sujeito com outros sujeitos. Dito de outra forma: o ser humano possui uma sexualidade. E esta sexualidade, devido à singularidade da história de cada um terá um destino particular: não há uma única maneira que se proponha certa, única e universal para as manifestações da sexualidade.

Se a relação sexual não existe, é porque no inconsciente não existe a inscrição psíquica da diferença sexual: “a função fálica não impede os homens de serem homossexuais” (Lacan, 1972-73, p. 97). O homossexual, como o heterossexual, tem acesso a uma forma de gozo fálico.
Não existe um sujeito homossexual, assim como não existe um heterossexual ou bissexual. Existem moções pulsionais e movimentos identificatórios que se deslocam, mais ou menos livremente, e que se manifestam nas escolhas objetais que sustentam as diversas expressões da sexualidade. Contudo, estas últimas não definem o sujeito.

Os ideais sociais direcionam os investimentos libidinais, criando assim uma sexualidade “normal”, o que não deixa de ser, como demonstra Foucault (1976), uma forma de controle. Para a psicanálise – que vem mostrar o quão ilusório é falar de “normal” em se tratando de pulsão –, o relevante é tentar compreender a dinâmica que subjaz as diferentes orientações sexuais. Nesta perspectiva, tanto a hetero quanto a homossexualidade são posições libidinais e identificatórias alcançadas pelo sujeito ao longo de seu trajeto pulsional.

Excerto de “A invenção da homossexualidade”
 Paulo R. Ceccarelli


Psicoterapia

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Diálogos, monólogos e solilóquios


O que te persegue é o que te precede


Psicoterapia

A busca da significação

Quantas vezes a vida não é a construção de “uma realidade” que seja, aparentemente tolerável, servindo propósitos internos…. Perante acontecimentos que a cada segundo se multiplicam podemos olhá-los como novos, à procura de um significado (novo), ou então encaixar tudo na experiência vivida, como se o tempo tivesse parado e os desejos esvaecido. O futuro é o passado e o presente, simplesmente, a ponte que os liga.
O novo, o não vivido, mas essencialmente a experiência passada que procura significação, pode, através da criatividade – capacidade de criar - ser re-significada e re-interpretada destruindo o que era uma evidência irrefutável. As experiências emocionais ao recuperarem os significados perdidos encontram a profundidade e a riqueza que se tinha perdido.
"We had the experience but missed the meaning, 
And approach to the meaning restores the experience 
In a different way......"
 
(Four Quartets)

"Nós tivemos a experiência mas perdemos a sua significação, 
E a busca da significação restaura a experiência 
De uma forma diferente......."

T. S. Elliot


Psicoterapia

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dependência do Terapeuta

É frequente ouvir-se falar do receio de ficar dependente do terapeuta. A questão é mais complexa do que à partida se pode supor e, para além do mais, está intimamente relacionada com a história de cada um. No entanto, costumo dizer, que uma boa dependência é essencial para obter a independência. É exactamente a boa dependência (matriz de uma boa relação afectiva pais/filhos), ao invés da dependência tóxica (má relação/incapacitante) que permite rumar à autonomia. O ser humano é frágil, e é-o, ainda mais, quando nasce e está completamente dependente dos pais/cuidadores. É exactamente a partir daqui, desta dependência inicial, que se começa a traçar o caminho para a autonomia. Mas, infelizmente, nem sempre tudo corre bem. Muitas vezes, mesmo correndo mal inicialmente, a capacidade de resiliência da criança associada à maior disponibilidade emocional dos pais permite superar falhas iniciais. Noutros casos assiste-se a tentativas desesperadas/dramáticas de procura de autonomia por todas as formas possíveis e imaginárias que, infelizmente estão destinadas ao fracasso, pois nenhuma destas tentativas dá um significado emocional/suprime/corrige/transforma a vivência de uma má relação de dependência.



Psicoterapia

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Crazy Friends






psicologia clínica

Falar sobre a morte com as crianças

Não existem fórmulas para falar de assuntos complicados com as crianças. Na maior parte das vezes os nossos medos contaminam a nossa capacidade de os abordar. Como sempre acontece, a honestidade é o que funciona melhor quando se fala sobre a morte. E porque não dizer que a honestidade é sempre o melhor quando se fala com as crianças sobre qualquer assunto!

Sejam honestos convosco e com as crianças

World can be a very scary place and bad things happen….



 
  psicologia clínica