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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de maio de 2014
(...) mãos fechadas, é assim que nascemos, pensou ele, com
os punhos cerrados, o meu filho não agarra em nada senão nele mesmo, mas aos
poucos aprenderá a abri-las, aprenderá que para ter coisas é preciso abrir as
mãos, só assim se consegue amar, não é (...)
Para onde vão os guarda-chuvas
Para onde vão os guarda-chuvas
Afonso Cruz
domingo, 9 de março de 2014
A perda da alteridade
Este vídeo da Save the
Children anda a causar furor no mundo, no mundo «civilizado», que o outro
não tem YouTube. No YouTube, já conta com quase 20 milhões de visualizações. A
apresentação do filme está
aqui, dizendo-se que três anos de guerra civil na Síria já custaram a vida
a 11.000 crianças. Há um milhão de crianças refugiadas. Mas, por mais que a
estatística nos arrepie, este filme, que segundo me parece representa o que
seria o crescimento e o dia-a-dia de uma das «nossas» crianças se vivesse na
Síria, é o nos que causa mais incómodo e indignação. Como se, para nos
sentirmos sírios, necessitemos de ser figurados como «nós», ocidentais e
caucasianos, vivendo nas nossas cidades, nas nossas escolas, andando nas nossas
ruas e saltando por parques relvados. Talvez isto seja a prova de que perdemos
o sentido da alteridade, a capacidade de nos colocarmos por inteiro na posição
do outro – e que só através da representação dos outros como «nós» somos
capazes de nos comover e impressionar. O mundo é um lugar estranho.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Serotonina e Dopamina
Nós podíamos ser apenas Serotoninas e Dopaminas mas não era
a mesma coisa!
Aqui ficam alguns links que teimosamente contrariam certas
teses
psicologia clínica
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
O drama da intergeracionalidade
“A sua mãe ama-o com uma
ternura até aí desconhecida. A princípio tem dificuldades em voltar a deitá-lo
depois de o alimentar, especialmente porque, nessas alturas, ele se põe a
chorar tão desesperadamente. MAS ELA ESTÁ CONVENCIDA DE TER QUE O FAZER PORQUE
A SUA MÃE LHE DISSE (E ELA DEVE MESMO SABÊ-LO) que o filho seria mimado e daria
problemas mais tarde se ela fosse condescendente agora… Ela hesita. O seu
coração sente-se atraído pelo filho, mas ela resiste e continua afastar-se.
Ainda agora mudou-lhe as fraldas e deu-lhe de comer. Por isso tem a certeza de
que, na realidade, NADA lhe falta; e deixa-o a chorar até se cansar”
Jean Liedloff
The Continnum Concept
posts relacionados: Modernices ; No colo aprendi a amar ; O grande especialista em crianças é a mãe
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Modernices
Não tenho em boa conta os Experts em crianças. Eles que me
desculpem, não se trata de nada pessoal, mas os estragos que têm produzido são consideráveis
e proporcionais às “teorias” que desenvolvem. A forma como surgem, se disseminam
e se fixam certas crenças culturais de como cuidar das crianças, quase sem
questionamento, também é uma questão interessante.
A parentalidade é uma das tarefas
mais difíceis e intensas que é colocada ao ser humano, não só pelas exigências,
principalmente, emocionais, mas também porque remexe com as nossas próprias
experiências de termos sido cuidados pelos nossos pais.
Entre as formas de lidar com medos,
inseguranças e até algum desespero, inerentes à parentalidade, está o aferrar a
certas crenças colhidas aqui e acolá. Naturalmente, os pais fazem aquilo que
consideram ser melhor para os filhos, e fazem-no na convicção de que está “correcto”.
Gostam dos filhos e procuram dar-lhes o melhor que podem e sabem.
O instinto natural de cuidar
quando bloqueado pelas dúvidas abre espaço para a crença e não faltará quem,
com a maior das generosidades, venha dizer como se faz. Então, a mãe, a
verdadeira especialista, deixa uma via aberta para a crença e a expertise de que alguns se fazem donos.
Como refere Darcia Narvaez, em “Modern parenting may hinder braindevelopment, research shows”, certas práticas tornaram-se comuns na nossa
cultura. Entre as mais habituais estão o fechar as crianças nos quartos e o
retardar a resposta a um bebé agitado, inquieto que reclama por cuidados, para
que não fique estragado com mimos.
A amamentação, a resposta
pronta ao choro, o contacto corporal constante são, segundo Narvaez, práticas parentais
ancestrais que, como se conclui das investigações, contribuem para o
desenvolvimento cerebral, para a formação da personalidade e a saúde em geral,
mas que fruto de “práticas modernas” foram esquecidas, caíram em desuso e como
corolário disso surgiu uma epidemia de doenças mentais nas crianças: distúrbio hiperactivo
com défice de atenção, depressão, ansiedade, etc.
As crianças são diferentes umas
das outras, e o que funciona para uma pode não ser o melhor para outra. O “segredo”
está na capacidade de a cada momento procurar compreender o que a criança nos
quer dizer com um choro, com uma birra ou com ataque de fúria. Pais e filhos
criam o seu próprio dialeto e é nessa aprendizagem sem dicionário que se
inscreve, com rasuras e erros de interpretação, o texto, que lido e relido e
tantas vezes reescrito, que vulgarmente chamamos vida.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Está um monstro debaixo da cama… só não vê quem não quer
Para as crianças é muito
difícil expressar os seus sonhos maus/pesadelos e uma das razões, directa ou
indirectamente, são os pais. Quem mais? Pobres pais…
Indirectamente porque o sonho
pode ter como personagem os próprios pais: “A mãe enlouquecida que fecha o filho
dentro de um armário escuro”; O pai transformado em monstro persegue a filha
com uma faca da cozinha”; A mãe/bruxa com os olhos vermelho incandescente
incendeia a cama onde o filho dorme”. Como conseguirá a criança contar estes
sonhos aos pais onde eles aparecem como criaturas terríveis? De uma maneira
geral as crianças sentem que estes sonhos não serão bem aceites pelos pais. E,
quantos pais conseguiriam lidar com sonhos desta natureza? Não é fácil, à que
dizê-lo.
Por outro lado, temos os pais
que acordados a meio da noite, se confrontam com: “há um monstro debaixo da
cama”; está alguém atrás do armário”, e a resposta é: “isso não é nada, é um
pesadelo, dorme que isso já passou”.
Se a criança viu o monstro,
então ele existe. E se ele existe, melhor será perguntar: “como era esse
monstro?”; “o que é que ele estava a fazer?”; “ainda está aqui?”; “vamos correr
com ele daqui”.
Se os pais não se
disponibilizam a entrar no sonho, no espaço assustador, as crianças podem concluir
que ninguém acredita nelas ou que os pais também estão assustados e por isso
incapazes de as proteger. “Só me tenho a mim para me proteger”. Assim pode
iniciar-se um afastamento dos pais, um isolamento em relação ao mundo que a
rodeia, pois há coisas sobre as quais não se pode falar, coisas indizíveis, impossíveis
de serem partilhadas. O mundo começa a fechar-se e nesse mundo, muitas vezes a
criança precisa criar – um outro – dentro dela própria que a proteja.
Quando o terror não pode ser
compartilhado a solidão ganha espaço. Estas experiências vividas sem
testemunhas, levarão a criança a questionar até que ponto poderá partilhar a
raiva, a mágoa e o sentimento de abandono. Impossibilitada de se fazer ouvir, gritará
alto com maus resultados escolares, violência com os colegas, isolamento,
alergias e mais alergias.
A criança gritará porque é a
única forma que tem de se fazer ouvir, mas dramaticamente, não é porque grita
que será ouvida. Será tratada, porque está doente e doente permanecerá até ser
ouvida.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Dependência do Terapeuta
É frequente ouvir-se falar do
receio de ficar dependente do terapeuta. A questão é mais complexa do que à partida
se pode supor e, para além do mais, está intimamente relacionada com a história
de cada um. No entanto, costumo dizer, que uma boa dependência é essencial para
obter a independência. É exactamente a boa dependência (matriz de uma boa
relação afectiva pais/filhos), ao invés da dependência tóxica (má relação/incapacitante)
que permite rumar à autonomia. O ser humano é frágil, e é-o, ainda mais, quando
nasce e está completamente dependente dos pais/cuidadores. É exactamente a
partir daqui, desta dependência inicial, que se começa a traçar o caminho para
a autonomia. Mas, infelizmente, nem sempre tudo corre bem. Muitas vezes, mesmo
correndo mal inicialmente, a capacidade de resiliência da criança associada à
maior disponibilidade emocional dos pais permite superar falhas iniciais.
Noutros casos assiste-se a tentativas desesperadas/dramáticas de procura de
autonomia por todas as formas possíveis e imaginárias que, infelizmente estão
destinadas ao fracasso, pois nenhuma destas tentativas dá um significado
emocional/suprime/corrige/transforma a vivência de uma má relação de dependência.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Falar sobre a morte com as crianças
Não existem fórmulas para falar
de assuntos complicados com as crianças. Na maior parte das vezes os nossos
medos contaminam a nossa capacidade de os abordar. Como sempre acontece, a
honestidade é o que funciona melhor quando se fala sobre a morte. E porque
não dizer que a honestidade é sempre o melhor quando se fala com as crianças
sobre qualquer assunto!
Sejam honestos convosco e com as crianças
World can be a very scary place and bad things happen….
Sejam honestos convosco e com as crianças
World can be a very scary place and bad things happen….
psicologia clínica
domingo, 9 de junho de 2013
A realidade adora humilhar a ficção
E se um dia o médico dissesse:
- Vamos parar com a medicação do seu filho, ele não está doente, o transtorno do défice de atenção com hiperactividade não existe, é uma doença inventada.
INVENTOR OF ADHD'S DEATHBED CONFESSION: "ADHD IS A FICTITIOUS DISEASE"
Fique tranquilo, isso não vai acontecer, felizmente, o seu filho contínua doente!
O seu médico pode ser considerado tão vítima quanto você, mas situa-se numa escala de responsabilidade diferente. A um médico exige-se muito mais conhecimento e capacidade de questionar um diagnóstico do que se exige a um pai. Apesar disso, existem muitos pais que consideram que os diagnósticos feitos aos seus filhos não se justificam.
Um conhecimento mais aprofundado e rigoroso do funcionamento mental das crianças e até algum senso comum, levaria os técnicos a questionar, por exemplo, o que se passa na família. Está tudo bem com os pais? Estão a divorciar-se? Os pais estão a sofrer com o desemprego? Nasceu um irmão? Morreu um avô? A criança perdeu os amigos porque mudou de escola? Etc. etc. … Imagino que tudo isto esteja a parecer óbvio. Enganem-se, isto não é relevante. O importante é: “nunca está quieto, anda sempre nas nuvens, está sempre desatento, os resultados na escola estão piores….” Qual é o interesse em saber se a criança mudou de escola? Não há nada a fazer, não podemos voltar para a escola antiga, logo a criança sofre de TDAH.
Tudo aquilo que os pais descrevem aos médicos é real, está efectivamente a passar-se com os seus filhos, não é uma invenção, somente, não é uma doença mental.
Echolilia: Sometimes I Wonder
O fotógrafo norte-americano Timonthy
Archibal através de uma série de imagens retrata com enorme sensibilidade o
autismo. “Echolilia: Sometimes I Wonder”, é o nome do ensaio onde Timonthy apresenta
o seu próprio filho em situações quotidianas.
De acordo com Archibald, a ideia para a sessão surgiu pela
necessidade de fazer algo de concreto por seu filho Eli, que completou 8 anos
recentemente. Ao contrário de muitos pais que fotografam os seus fazem
filhos sorridentes ou em situações graciosas, optou por um registo intimo
tentando captar a essência.
Aqui
Aqui
psicologia clínica
terça-feira, 23 de abril de 2013
No colo aprendi a amar
Num
post anterior dei conta de um estudo da FPCE-UC onde se concluía que: “Brincar
10 minutos diários com os filhos em idade pré-escolar, sem direito a fazer mais
nada em simultâneo, e de forma cooperativa, contribui para reduzir os
distúrbios de comportamento, como p. ex., hiperatividade, défice de atenção,
oposição (a criança opõe-se a qualquer ordem do adulto) e desafio e
agressividade.”
psicologia clínica
Agora surge um estudo desenvolvido no Japão pelo Dr. Kumi Kuroda (Riken Brain Science Institute) com resultados, passe a ironia, absolutamente inesperados: os bebés acalmam quando
são colocados no colo.
Durante
décadas os pais foram bombardeados com dezenas de teorias estapafúrdias que ensinavam a cuidar dos filhos. Os especialistas na matéria, pediatras e psicólogos,
venderam milhares de livros “revolucionando” a forma de educar. Técnicas para
lidar com choros, birras etc., foram desenvolvidas com base em preconceitos (e
muita ciência, sempre muita ciência) e, invariavelmente, descentrando-se do
principal: “A criança”.
Resultado:
os pais perderam a espontaneidade, a sua capacidade instintiva de cuidar (que
passa de pais para filhos). Em vez de se desenvolver um vínculo seguro através do
estabelecimento de uma boa relação - objectivo primeiro -, instrumentalizou-se
a relação humana precoce. É um exagero dizer que os inúmeros diagnósticos de
hiperactividade estão relacionados com este tipo de relação, até porque muitos
desses diagnósticos estão errados, mas como a sabedoria popular nos ensina: “quem
semeia ventos colhe tempestades”.
Nunca
imaginei poder dizer que estes estudos são muito bem-vindos, nem imaginei sequer,
que fossem desenvolvidos e que tivessem esta divulgação. Mas eles aí estão,
para nos dizerem o que todos sabíamos.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Chover no molhado ou, nem por isso….
Numa
fase em que parece que tudo tem que ser estudado, tem que ser comprovado para
que as pessoas prestem alguma atenção e, quem sabe, as ponham em prática, acho
bem que saiam estas notícias. Mas também devemos colocar a questão: Isto é
realmente uma conclusão nova? Não sabíamos todos isto? Então desculpem que diga,
se não sabiam deviam saber!
psicologia clínica
“Brincar
10 minutos diários com os filhos em idade pré-escolar, sem direito a fazer mais
nada em simultâneo, e de forma cooperativa, contribui para reduzir os
distúrbios de comportamento, como p. ex., hiperatividade, défice de atenção,
oposição (a criança opõe-se a qualquer ordem do adulto) e desafio e
agressividade, comprova um estudo da Faculdade de Psicologia e Ciências da
Educação da Universidade de Coimbra.”
O
estudo foi efectuado com crianças com problemas de comportamento diagnosticados
e, segundo os resultados, com sucesso, pois verificou-se uma redução de
sintomatologias de hiperatividade, défice de atenção e oposição e desafio,
agressividade e impulsividade.
Embora
o estudo se tenha focado na intervenção em famílias de crianças com diagnóstico
clínico, a investigadora defende que o programa é também essencial para atuar
«ao nível da prevenção de futuros comportamentos desviantes. Todos os pais
deveriam ter acesso gratuito ao programa nos centros de saúde, tal como têm
acesso a vacinas, ou nos jardins-de-infância».
A
investigadora Maria Filomena Gaspar defende que o programa é também essencial
para actuar «ao nível da prevenção de futuros comportamentos desviantes”.
Desculpem colocar outra questão: Se os pais brincassem mais com os filhos,
colocassem regras e limites não se evitariam muitos diagnósticos clínicos?
Se
forem precisos estudos para nos dizer que temos que brincar com os nossos
filhos, estamos mal, estamos muito mal!
terça-feira, 19 de março de 2013
“Crónico” quer dizer para a vida toda?
O artigo Why ADHD is Not Just a Problem for Kids,
publicado na revista Time começa com
uma frase bastante enigmática, que ainda não consegui descodificar “The effects
of attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD) can extend well beyond
childhood, according to the latest research”.
Os
efeitos? Poderia ficar aqui às voltas com os “efeitos” o resto do dia, mas
provavelmente a jornalista não estava muito ciente do que estava a escrever,
na verdade, até é desculpável, uma vez que as citações de um dos autores do
estudo são bastante ambíguas para não dizer, tendencialmente erróneas.
Num estudo realizado por
pesquisadores do Hospital infantil de Boston e da Mayo Clinic, concluiu-se que
29,3% das crianças às quais foi diagnosticado distúrbio da hiperactividade com
défice de atenção (TDAH), ainda o apresenta em adulto, juntamente com o aumento
da taxa de outros problemas psiquiátricos.
Só 29,3%? Tendo em conta que o
intervalo considerado anteriormente ia dos 6% aos 66%, o valor até não é muito mau.
W. Barbaresi, um dos autores do
estudo, refere com aparente pesar que se banalizou a questão e que temos que
reconhecer que a TDAH é uma doença crónica. E assim, num abrir e fechar de
olhos, condenou milhares de crianças para o resto da vida ao simpático rótulo
de “doentes mentais”.
Barbaresi, com a sua autoridade
científica refere: “temos que parar de banalizar a TDAH como sendo apenas um
problema de comportamento na infância”. Mas então, é um problema de
comportamento ou uma doença? Se é apenas um problema de comportamento porque se
estão a drogar crianças como se fosse uma punição? - Se não te portas bem
ponho-te a tomar Ritalina!
O Sr. Barbaresi sabe muito bem
que não há qualquer tipo de banalização, muito pelo contrário, a cada esquina
está uma criança com TDAH. Milhões no mundo inteiro. A banalização está
exactamente na forma como se atribui um diagnóstico que condena uma criança
para a vida toda.
O que realmente preocupa muito
o Sr. Barbaresi - a tal banalização - é o receio que os pais, quando os filhos crescerem,
decidam deixar de os medicar, ou eles, por iniciativa própria, deixem a
medicação. Mas pode dormir descansado, a malha é tão apertada que só alguns
conseguiram escapar.
Como provam os dados, dos adultos
que tinham TDAH 81% apresentava pelo menos mais um transtorno psiquiátrico
adicional. Dos que não apresentavam sinais da doença, 47% tinha pelo menos mais
um diagnóstico psiquiátrico.
Para terminar o Sr. Barbaresi
escancara as portas do inferno: “Temos que parar de banalizar o TDAH como sendo
apenas um problema comportamento da infância. A natureza e duração deste
estudo mostram que temos de reconhecê-lo como um problema de saúde crónico
grave que merece muito mais atenção do que tem recebido (…) o legado e as
implicações a longo prazo de um diagnóstico de TDAH não foram realmente
consideradas e estudadas de forma adequada, uma vez que a maioria dos médicos
tendem a pensar a condição como afectando principalmente crianças, que
tendem a superar uma vez que atingem a idade adulta.”
O que nos deve preocupar muito
são os Srs. Barbaresis, que de ânimo leve e com uma preocupação perversa, distorcem
a ordem das coisas. O que o Sr. Barbaresi não conclui, nem nunca irá concluir,
mas que os resultados comprovam é que quando a criança cai nas malhas da TDAH
arrisca-se com alta probabilidade a ser um doente mental crónico.
Desculpem o sublinhado: “crónicos”
quer dizer, para a vida toda. TODA.
posts relacionados: Distúrbio da Hiperactividade com Défice de Atenção ; Hiperactividade a quanto obrigas
psicologia clínica
segunda-feira, 4 de março de 2013
Elogios – melhor que receber só mesmo merecer
Há coisas onde as crianças não diferem muito dos adultos: a satisfação de receber um elogio. Em ambos os casos o elogio pode não ser merecido, mas no que diz respeito aos filhos, os pais têm sempre um elogio “gratuito” para um poema horrível, para uma performance musical de arrepiar ou para um golo a 20 metros da baliza.
– Confiança -, dizem. – É preciso que ganhem auto-confiança para triunfarem na vida. Será que o elogio incondicional gera confiança ou dependência?
As crianças e os jovens gostam de sonhar com conquistas mirabolantes e aplausos intermináveis. No entanto, fazem-no muito mais pelo prazer do devaneio do que pelo desejo real de concretização. Por seu lado, os pais, investem (por vezes na pior acepção da palavra) de corpo e alma nos sonhos dos filhos (ou seus) exponenciando os seus dotes de forma desmesurada.
Os pais estão convencidos que para os filhos triunfarem precisam confiar cegamente nas suas qualidades, esquecendo que sem esforço nada se consegue. Assim, mesmo sem se justificarem, os pais desfazem-se em aplausos.
O problema é que os elogios incondicionais em vez de produzirem auto-confiança provocam dependência: os filhos ficam dependentes da aprovação dos pais e, mais tarde, dos outros. Escravos desta situação, invertem as prioridades: em vez de se esforçarem na concretização dos seus desejos, buscam os elogios.
Hoje, os filhos são o centro da vida de muitos pais e, ainda que encontremos aí um enorme altruísmo, na verdade, está também um grande vazio, que os pais procuram preencher através dos filhos. Isto acaba por gerar uma dependência desigual: os filhos tornam-se importantes para os pais e os pais indispensáveis para os filhos. Cada passo que o filho dá tem que ser antecedido de um sms de autorização/aprovação.
A visão actual sobre as crianças é muito diferente e, como normalmente acontece, para as compensar de todo o mal que lhes provocámos, passa-se para o outro extremo: endeusamento. Talvez as coisas não sejam assim tão simples e esse endeusamento tenha um preço elevado e, já lhes esteja a ser cobrado.
As crianças são o futuro, é incontestável. Não quererá isso também dizer que lhes colocamos a responsabilidade de compensarem as nossas falhas e fracassos? Não andaremos à procura de um orgulho retroactivo?
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Amigos imaginários
Os
amigos imaginários não se constituem como alucinações que a criança vê fora de
si, embora, em alguns casos, isso possa acontecer. As crianças acreditam na sua
existência real, procuram a sua companhia e conversam com eles. Estes amigos
imaginários ao auxiliarem a criança na elaboração de angústias e ansiedades têm
um papel importante na constituição do Eu. Estes também podem surgir quando a
criança experimenta uma perda real ou fantasiada. O amigo imaginário pode
desdobrar-se em múltiplas personagens que actuam num teatro interno. À medida
que o Eu da criança se estrutura e vai sendo capaz de fazer frente a conflitos e
aspectos contraditórios eles tendem a desaparecer. Em alguns casos (raros),
quando as condições para o seu desaparecimento não se verificaram eles
permanecem, tornando-se aspectos cindidos da personalidade.
Numa
fase em que as crianças têm poucos amigos reais, os imaginários desempenham um
papel importante na ampliação do mundo social da criança. Através dos vários
papeis que os amigos imaginários vão desempenhando a criança vai experimentando
sobre vários pontos de vista as relações humanas no mundo dos adultos. À medida
que se ampliam o número de amizades, os amigos imaginários vão-se tornando
menos interessantes até ficarem para trás. Isto não quer dizer que perante uma
dificuldade, uma desilusão, a criança não recorra esporadicamente a ele para
partilhar a tristeza, ou descarregar a raiva que está a sentir. Às vezes fazem
muita falta!
psicologia clínica
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