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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Implodir ou explodir?


Implodir ou explodir? A resposta não é fácil e, normalmente, a decisão está dependente dos (supostos) efeitos colaterais da explosão, ou seja, como recuperar dos danos resultantes – reais ou imaginados.
Embora provoque grandes estragos, a implosão (explosão interna) tem a “vantagem” de ser controlada pelo próprio.
Já na explosão (externa), o maior receio é a imprevisibilidade quanto aos (supostos) estragos. Temem-se os efeitos no outro e o reflexo no próprio.
É complicado abordar esta questão sem sabermos o que está por trás, mas tomemos o exemplo:
Imaginemos que a Filipa diminui e amesquinha constantemente a Inês através de observações desagradáveis, comentários depreciativos e a responsabiliza por tudo o que corre mal. Um dos efeitos nefastos da Inês não reagir traduz-se no desenvolvimento de sentimentos de desvalorização e de inculpação – absorção da maldade do outro transformando-a sua-; algo que se pode enraizar profundamente no Eu a ponto de se constituir como parte integrante deste.
Neste caso seria de supor que a “explosão” seria a resposta adequada, mas há um senão. O que representa a Filipa para a Inês? Se pensarmos que se trata de uma figura afectivamente muito importante é natural que o vontade da Inês reagir possa ser bloqueada devido ao receio (normalmente fantasiado) de vir a perder a relação com a Filipa. Quando o receio é muito grande dá-se a implosão.
Uma das conclusões que se podem tirar é que certas dinâmicas relacionais implicam custos muito altos.
As coisas não são tão simples como tentei demonstrar, são, até, muito mais complexas. Cada caso é um caso, mas implodir não é a solução, mas antes, uma forma de perpetuar certos padrões relacionais.


Psicoterapia

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sobre o narcisismo # 1


A prótese narcísica é uma forma de compensação por sentimentos (principalmente) de inferioridade.
Através desta estratégia de compensação procura-se obter uma nova imagem de si através da correcção da falha (narcísica).
Uma vez que a falha se situa ao nível interno, este processo está condenado ao fracasso. Por muitos pincéis e tintas que se use para retocar a imagem , por baixo ela mantém-se inalterada. Esta tentativa de engrandecimento não passa de uma luta inglória, porque, apesar de um esforço continuado, é remar contra a maré.
Os recursos em vez de serem colocados ao serviço do próprio são desperdiçados em manobras, muitas vezes desesperadas, de esconder – desse ser que se pretende grandioso – todas as imperfeições.
Por não compreender mais profundamente os sentimentos de inferioridade e assim procurar a ultrapassá-los, vive-se confinado entre a imagem negativa e distorcida de si (porque só consegue ver-se parcialmente) e a imagem desejada de grandeza. Flutuando, sem ser uma coisa nem outra, dará à costa trazido pela maré.
psicologia clínica